Uesb traça estratégias de enfrentamento à exposição ao amianto

Categoria: Notícias

De “mineral mágico” a “poeira assassina”. Assim é construída a trajetória do amianto, fibra mineral utilizada para isolamento térmico das máquinas e equipamentos industriais. Entre os anos de 1939 e 1967, a exploração do minério na cidade de Bom Jesus da Serra, Sudoeste da Bahia, foi responsável pela exposição das famílias, direta ou indiretamente, à substância. Os quase 30 anos de exploração provocaram problemas de saúde à população local e impactos ambientais.

Hoje, mesmo com a mineradora desativada há 50 anos, iniciativas continuam sendo realizadas para mostrar à comunidade e instituições as conseqüências geradas pela problemática nessa exploração. Para contribuir com essa percepção coletiva dos moradores da cidade sobre a ameaça à saúde produzida pela exposição ao amianto, a Uesb vem desenvolvendo, por meio do  projeto extensionista “Estratégias de enfrentamento social dos riscos produzidos pela exposição ao amianto”, no campus de Jequié, uma série de ações com as famílias afetadas.

Professores e alunos da faculdade de medicina da UESB visitando a ex-mina de amianto. Foto: Inácio Teixeira/Coperphoto

Diversas ações integradas são realizadas com a comunidade local para dar visibilidade aos problemas causados, como as rodas de conversa para diagnóstico situacional e oficinas para discutir e sensibilizar sobre os possíveis danos sociais e de saúde. Além disso, em parceria com institutos, também são promovidas pelo projeto avaliações em saúde (anamnese ocupacional, exame físico-funcional). Em conjunto com a população, o projeto também constrói estratégias de prevenção e participação social nos processos decisórios que envolvem o município de Bom Jesus da Serra.

Uma das idealizadoras do projeto, a professora Thaís Brito, do Departamento de Saúde 1 (DS1) da Uesb, destaca a importância de parcerias para o sucesso das ações. Com as abordagens, além do engajamento da população, é necessário também o envolvimento de instituições parcerias, como o Instituto do Coração (InCor), o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), a Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea) e a Associação das Vítimas Contaminadas pelo Amianto e Famílias Expostas (Avicafe).

Para Brito, é preciso encarar essa exposição ao amianto como um grave problema de saúde pública e ambiental. “A luta pelo fim da utilização dessa fibra, pelo empoderamento da população acerca de suas condições atuais de vida e saúde e pela redução das doenças provocadas pela mesma configuram-se um movimento político comprometido com a transformação social na busca por uma sociedade mais justa, igualitária e saudável”, defende.


Por: Mara Ferrraz/UESB

Acessos: 137