Uma tragédia socioambiental de proporções ainda ignoradas

Categoria: Galeria de Fotos

A exposição do fotógrafo Inácio Teixeira desvenda uma dramática realidade de sua terra natal, em plena caatinga baiana, que ficou anos a fio invisível à sociedade brasileira. É o drama da exploração do amianto, que nos seus primórdios foi considerado o “mineral mágico”; hoje, denominado a “poeira assassina” pelo rastro de destruição causado por onde foi empregado.

A fazenda São Félix do Amianto em Bom Jesus da Serra (anteriormente distrito de Poções, Bahia), onde nasceu Inácio Teixeira, abrigou por 28 anos a empresa SAMA, que foi controlada pela multinacional francesa Saint-Gobain (BRASILIT), que ali permaneceu até 1967, quando, em sociedade com a então empresa suíça, ETERNIT, sua principal concorrente, deu início à exploração da mina de Cana Brava no município de Minaçu, estado de Goiás. Esta parceria durou até 1997, quando a ETERNIT S.A., já nacionalizada, assumiu o controle total das atividades de produção do amianto no Brasil e também do passivo socioambiental da antiga mina de São Félix do Amianto.

As fotos de Inácio Teixeira não deixam quaisquer dúvidas sobre o rastro de destruição causado por esta indústria predatória que já conhecia os malefícios do amianto antes mesmo de iniciar sua atividade mínero-industrial no Brasil, tornando-o um dos maiores produtores, exportadores e utilizadores mundiais da fibra cancerígena, hoje banida em mais de 70 países, inclusive no Brasil.

Audiência pública em Bom Jesus da Serra, Bahia, com a participação de ex-empregados da sama mineração vitimados pelo amianto, viúvas e familiares.

Caminhando sobre terreno contaminado com rejeitos de amianto.

Caminhando sobre terreno contaminado com rejeitos de amianto.

Eugênio, ex-empregado da sama e vítima fatal do amianto.

Pesquisador alemão visita o canyon formado na antiga cava de exploração do amianto e examina a “pedra cabeluda”.

Pesquisador alemão visita o canyon formado na antiga cava de exploração do amianto e examina a “pedra cabeluda”.

Fundações das casas de Bom Jesus da Serra construídas com pedras de amianto.

Viúva mostra o raio-x do marido.

Gonçala, viúva de ex-empregado da sama que morreu com grave falta de ar e cuja causa mortis nunca foi diagnostica e notificada.

Martelinho de geólogo doado pela sama aos filhos dos empregados para retirarem as fibras que ainda restavam agregadas nas pedras, as quais eram trocadas por doces, balas e outras guloseimas no mercado da sama.

Pedra de amianto. Chamada anteriormente de o “mineral mágico ou pedra cabeluda”.

Criança empinando pipa inadvertidamente em terreno contaminado com resíduos de amianto da antiga mineração.

Criança empinando pipa inadvertidamente em terreno contaminado com resíduos de amianto da antiga mineração.

Ruína da antiga mina da sama (s. A. Mineração de amianto) em Bom Jesus da Serra, que foi explorada entre 1939-1967 pelo grupo multinacional francês saint-gobain. Hoje restam outras antigas construções em ruínas e resíduos espalhados por toda a fazenda São Félix do amianto.

Ruína da antiga mina da sama (s. A. Mineração de amianto) em Bom Jesus da Serra que foi explorada entre 1939-1967 pelo grupo multinacional francês saint-gobain. Hoje restam outras antigas construções em ruínas e resíduos espalhados por toda a fazenda São Félix do amianto.

Viúva rezando pelo marido vítima do amianto no cemitério “branca de neve” em Bom Jesus da Serra. Os túmulos foram construídos com a rocha serpentinita (amianto crisotila). A fina poeira do amianto está por toda a parte. Os habitantes mais antigos diziam que “nevava no sertão”, pois a paisagem era similar ao inverno Europeu.

Mãe visita túmulo da filha no cemitério.

 

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